Morte de tartarugas no litoral do RJ preocupa biólogos

13/06/2016

Em 1 mês, desde 15 de março, oito foram achadas mortas em praias. Especialistas não conseguem apontar uma causa que ligue os casos.

 

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Tartaruga morta na Praia do Leblon (Foto: Paula Levy / Globo)

 

Por Olheinfo – Desde 15 de março até esta sexta-feira (15), oito tartarugas foram encontradas mortas no litoral do Rio de Janeiro; mais cinco em Niterói, no dia 14/05. O número é considerado acima da média registrada pelo Projeto Aruanã, que trabalha pela conservação de tartarugas no litoral do Estado do Rio de Janeiro, que costuma ser de até cinco.

 

Quatro animais foram encontrados no litoral da cidade do Rio, três em Maricá e uma em Niterói.

De acordo com a bióloga marinha e coordenadora técnica do Projeto Aruanã, Suzana Guimarães, pesquisas ainda não conseguiram identificar se há uma causa comum para as mortes dos animais no litoral do estado.

 

“Até o momento, não existe nenhuma causa que ligue as mortes de todas as tartarugas. As amostras estão sendo analisadas. Quando ela morre sem uma causa aparente fica difícil,” explicou Suzana, que contou que amostras dos animais estão sendo analisadas.

 

De acordo com Suzana, a média de registro de tartarugas mortas no litoral do RJ chegava, no máximo, a cinco animais por mês.

 

Entre os casos que se destacam recentemente está a morte de duas tartarugas-de-couro (Dermochelys coriacea), espécie que tradicionalmente é vista em regiões oceânicas e com hábitos solitários, que só se aproxima da costa para desova.

 

Sujeira e pesca ilegal

A bióloga e mestre em biologia Vanessa Pose Martinez levanta a possibilidade de que a sujeira no mar possa estar causando as mortes.

 

“O plástico libera um gás no estômago dos animais que faz com que eles flutuem, impossibilitando que as tartarugas possam mergulhar para caçar para comer corais, esponjas e algas no fundo do mar. Algumas são resgatadas desnutridas e chegam a ser levadas para a reabilitação, mas muitas morrem”, contou Vanessa.

 

A bióloga ressaltou que a situação é pior no caso das tartarugas-de-couro, que se alimentam de águas vivas, que são facilmente confundidas com pedaços de plástico, podendo causar sufocamento. Vanessa destacou também que o atropelamento por veículos aquáticos pode causar a morte dos animais.

 

“Em alguns casos de atropelamento por motos aquáticas e lancha, os animais podem ser feridos sem causar danos no casco, podendo ficar até com a coluna quebrada”, explicou a bióloga.

 

Segundo entrevista concedida ao G1 no dia 15 de março, o biólogo Bruno Meurer também cogitou a possibilidade de que os animais tenham sido mortos pela ingestão de detritos ou por redes de pesca.

 

"A pesca tem sido um problema no mundo todo, porque com a redução de pescado, os pescadores estão aumentando os tamanhos das redes. Algumas chegam a 5 km de diâmetro. A tartaruga fica presa na rede e acaba morrendo afogada. É um problema que o mundo inteiro tenta resolver", disse Meurer, que é coordenador do Laboratório de Ecologia, que desenvolve o projeto "Tartarugas Marinhas do Rio", que avalia os principais riscos para as espécies de tartaruga no estado.

 

Marcello Farias, do movimento Salvemos São Conrado, que luta contra a poluição no bairro, ressalta que não pode dar uma opinião de especialista, mas também acredita que a poluição pode ser um dos principais fatores para a morte de animais. Nas areias da praia do bairro, na Zona Sul do Rio, foram encontradas duas tartarugas mortas neste período.

 

“Essas mortes começaram de uns tempos para cá. Antigamente a gente não via tantos casos. Nós temos aqui um grande problema, que é o despejo de esgoto sem tratamento no costão da Avenida Niemeyer”, contou Marcello.

 

Marcello destacou ainda que vários barcos pesqueiros também circulam na região. Além das tartarugas, um tubarão foi encontrado morto na praia.

 

Desastre de Mariana

Os biólogos contam que não possuem meios no momento para afirmar com certeza se a poluição causada pelo rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, e a chegada dos detritos ao litoral, no Espírito Santo, possam ter relação com o fenômeno no Estado do Rio de Janeiro.

 

“As tartarugas nascem em uma praia, percorrem um longo trajeto e desovam no local onde nasceram. No Brasil, o único local de desova de tartaruga-de-couro, por exemplo, é em Regência (ES), região que foi atingida pela lama toxica”, explicou Vanessa Pose Martinez

 

Fonte Cristina Boeckel – G1 Rio