Protestos contra Dilma podem afetar presidente da Petrobrás

15/03/2016

A presidente controla diretamente de Brasília as principais decisões da companhia Aldemir Bendine é uma escolha pessoal dela.

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Foto divulgação Rio de Janeiro

Por Olheinfo – Sem retaliações ou questões de torcida partidária. A presidente da República não tem capacidade intelectual para gerir um Estado. O entendimento parte da base de como ela foi parar no poder... Simples, Lula populista com discurso de mudar o mundo, emplacou sua candidatura e Dilma deu continuidade. Acontece que nenhum dos dois são técnicos e profissionais com capacidade de gerir e administrar o Brasil. A crise ainda não está enraizada, se continuarmos como está; logo haverá verdadeiramente uma crise social e comercial no país.

 

A maior manifestação pública da história brasileira contra um presidente da república, realizada em mais de 300 cidades neste domingo (13), passou um recado claro da insatisfação popular contra o governo e contra a corrupção no país. Um grito legítimo de mais de três milhões de pessoas. De famílias, não de um partido político ou de militância remunerada que se aglomera sem saber o que realmente está fazendo nas manifestações. Mais do que isso, acendeu um sinal amarelo, quase vermelho, diretamente para a Petrobrás e para a sua presidência.

 

Com a possível saída do poder da presidente Dilma Rousseff, o que parece ser uma tendência natural, dada a insatisfação com o seu desempenho à frente do governo, o cargo de presidente da Petrobrás certamente sofrerá mudança. Aldemir Bendine (foto), bancário de carreira, ex-funcionário do Banco do Brasil, foi uma escolha pessoal da presidente, que passou a controlar diretamente de Brasília as principais decisões na companhia. Com o agravamento da situação política, pode-se usar uma expressão popular para identificar a situação de Bendine: “ele subiu no telhado.”

 

Assim como em toda administração pública federal, a Petrobrás, que já estava a passo de cágado em suas ações operacionais, vai sentir fortemente toda a insegurança institucional vinda de Brasília. Com isso, a insegurança se alastra para a sede da companhia no Rio de Janeiro e coloca em dúvida a legitimidade do atual presidente da estatal para tomar atitudes que estavam desenhando o novo perfil da companhia, pondo em xeque o que ele vê como a saída para os problemas: vender ativos da Petrobrás.

 

No auge da crise institucional, com protestos contra o governo em dimensões jamais vistas na história, terá Bendine autoridade moral para tomar atitudes como vender a Transpetro? A BR Distribuidora? A TAG?  A seguir o rascunho da volatilidade de Brasília, recomenda-se pelo menos prudência. Ou se esperam os desdobramentos políticos ou será irresponsabilidade vender excelentes ativos e largar o problema nas mãos dos outros.

 

É justo dizer que Bendine pegou um avião voando com graves problemas em seu motor. Como não era piloto, teve um espaço de tempo até se adaptar à nova empresa, cercando-se de assessores que em nada contribuíram para a sua administração, a não ser criar problemas de relacionamento com o Ministro das Minas e Energia, apesar de manter alguns diretores qualificados, como Solange Guedes e Roberto Moro. Entrou cercado de desconfianças, sob suspeitas que não foram provadas, e, por suas atitudes divorciadas do sentimento da empresa, promoveu uma espécie de caça às bruxas que ceifou, sem dó nem piedade, milhares de empregos, criando um clima de denuncismo entre os funcionários, sob a nova bandeira do famoso Compliance. Até agora, este é o seu legado, que será lembrado por uma fotografia pálida, em preto e branco, na Galeria dos Ex-Presidentes da Companhia.

 

Nesta segunda-feira (14), há a previsão de mais uma reunião do Conselho de Administração, que deverá referendar mudanças na estrutura executiva da companhia. Erardo Barbosa, que é o atual gerente de E&P Pré-Sal, vai para a nova Diretoria de Desenvolvimento da Produção. Segundo um informe interno da empresa, na reestruturação geral da companhia, que está sendo chamada de Onda Zero, a nova diretoria de desenvolvimento da produção terá as seguintes gerências executivas: E&P pré-sal, Poços, Construção de Poços Marítimos, Sistemas de Superfície, Engenharia para Empreendimentos de E&P, Corporativo da Engenharia, e Programa de Gestão de Sondas.

 

A nova estrutura da Diretoria de Refino, Gás e Energia vai contar com cinco gerências executivas e uma gerência-geral, que vão incorporar nove gerências-executivas da gestão anterior. Serão ao todo cinco gerências vindas do Gás e Energia e quatro do Abastecimento. A Gerência Geral de Gestão Integrada de Ativos vai incorporar o corporativo das duas antigas diretorias.

 

A nova diretoria de E&P contará com seis gerências executivas e uma Gerência Geral, a Gestão Integrada de Ativos, que será absorvida pelo Corporativo do E&P. A Gerência Executiva de E&P Internacional e a Gerência Norte e Nordeste serão unificadas na nova Gerência Executiva de Terras e Águas Rasas. O E&P Sul e Sudeste será incorporado na nova gerência de Águas Profundas. A Gerência de Desenvolvimento de Projetos de Produção irá para a Gerência de Águas Ultra Profundas. Já Libra e Exploração não serão alteradas.


Fonte: Petronoticias