Síndrome de Down no mercado de trabalho

18/09/2017

Projeto que insere jovens com Síndrome de Down no mercado de trabalho comemora frutos

Foto Fillipe Lima_CadaMinuto 
Foto: Fillipe Lima/CadaMinuto

Por Natália Cerqueira e Fillipe Lima / em Maceió

Olheinfo – Em busca de independência e autonomia, jovens com Síndrome de Down visam cada vez mais oportunidades no mercado de trabalho. A inclusão de pessoas com algum tipo de deficiência ainda é um problema frequente, mas em Alagoas isso tem sido amenizado com incentivo de organizações não governamentais (ONGs) como o Instituto Amor 21.

 

Entrar no mercado de trabalho é um passo importante na vida de qualquer jovem, é o momento de transição entre o mundo da infância e o mundo adulto. Para Neila Sabino, presidente do Instituto Amor 21, “A entrada da pessoa com Síndrome de Down no mercado de trabalho é extremamente importante para sua autonomia e independência. Além de gerar emprego, a inclusão de pessoas com deficiência contribui para trazer dignidade, saindo da dependência da eterna criança e tornando-o inserido na sociedade como qualquer outra pessoa”, disse.

 

De acordo com o Amor 21, cerca de 4.300 alagoanos têm síndrome de Down. Em Maceió, são aproximadamente 1.200. Porém, o número de pessoas inseridas no mercado de trabalho - infelizmente - ainda é muito pequeno, apenas quatro estão empregadas, representando o irrisório número de 0,09%. O Cada Minuto conversou com três deles para saber como essa inserção ajuda no desenvolvimento.

 

Os exemplos

 

Um dos exemplos é do estudante Fernando Barros, de apenas 21 anos. Trabalhando há pouco mais de um mês como jovem aprendiz no Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) do Parque Shopping Maceió, ele vem conquistando espaço e reconhecimento entre os colegas de trabalho.

 

Felipe disse que sempre sentiu vontade de trabalhar e que a partir do curso do Sebrae, as portas começaram a se abrir. “Eu estou amando trabalhar. Antes eu ficava em casa dormindo e sem nada para fazer, e agora é diferente. Eu amo isso aqui”, afirmou.

 

Para a mãe do Fernando, o trabalho tem sido muito importante para o desenvolvimento e independência dele. “Ele se adaptou perfeitamente e isso só veio a acrescentar em nossas vidas”, disse.

 

O estímulo é algo fundamental para o desenvolvimento e amadurecimento nessa fase de transição entre a infância e a juventude, é algo que pode ser decisivo na vida de pessoas com Down.  “Desde quando surgiu a oportunidade do primeiro emprego, tudo mudou na vida do Felipe. Ele amadureceu 100%. Eu sempre disse a ele que a história dele seria diferente e está sendo” afirmou a mãe de Felipe.

 

O jovem aprendiz já pensa em dar voos mais altos, ele é estudante do ensino fundamental, mas afirmou que pretende fazer graduação de Direito e Engenharia e dar continuidade à vida profissional.

 

Flávia Bandeira tem 32 anos e está ativa no mercado há 6 anos. Ela é formada em pedagogia, e trabalha na Casa da Indústria na Gerência Executiva da Educação. Para ela não há nada melhor do que correr atrás da sua própria independência. “Eu estou muito feliz em poder contribuir com os meus serviços dentro da empresa. Eu me sinto muito bem e acolhida pelos meus companheiros de trabalho”, afirmou.

 

Flávia iniciou sua trajetória no mercado de trabalho por meio de cursos no SENAI, ela disse que foi jovem aprendiz, estagiária e finalmente foi contratada pela empresa, onde presta serviços atualmente. Mesmo estando estabilizada no mercado de trabalho, ela disse que pretende ampliar seus conhecimentos. “Eu sinto muita vontade de fazer outros cursos, inclusive um na área de gestão, onde eu mais gosto” disse.

 

O apoio e o incentivo são fundamentais para que as pessoas deem o primeiro passo e corram atrás dos seus sonhos, foi a partir disso, que Flávia começou a conquistar o seu espaço. “Eu sempre tive o apoio da minha mãe em tudo e foi ela que me incentivou a fazer os cursos do Senai, e essa foi uma oportunidade única, hoje estou no mercado de trabalho por causa disso. É preciso que os pais acreditem em seus filhos, para que eles tenham a mesma possibilidade que eu estou tendo hoje”, finalizou.

 

Outro jovem que está iniciando sua trajetória no mercado de trabalho é o empreendedor Felipe Martins, de 28 anos. Ele inaugurou recentemente um Hot Dog Goumert na rua fechada, localizada na Orla de Pajuçara. Felipe está terminando o curso de gastronomia e para dar continuidade a sua paixão que é a culinária, resolveu vender os quitutes que já fazem o maior sucesso.

 

Kátia Martins, mãe de Felipe, disse que desde pequeno ele já se interessava pela culinária e como ele está finalizando a faculdade agora, eles tiveram a ideia de criar um carrinho de hot dog, onde o Felipe tivesse a liberdade de fazer o seu próprio horário, fazendo o que mais gosta.

 

Junto com a sua mãe, Felipe prepara os molhos que foram criados especialmente para o Hot Dog dele. “Existe uma parceria muito grande entre nós. Ele ama o que faz e a gente se ajuda sempre” disse a mãe de Felipe.

 

Questionado sobre o sucesso do seu quitute, Felipe disse que todos os clientes que comeram, aprovaram e deram nota 10 e ele faz questão de montar um Hot Dog para que a reportagem do Cada Minuto também desse sua nota. E o resultado, não poderia ser diferente. 10!

 

A história desses três jovens estão sendo acompanhadas de perto pelo Instituto Amor 21, que é um dos maiores incentivadores e que vem trabalhando o desenvolvimento profissional diariamente de jovens com síndrome de Down.

 

Emprego Apoiado

 

A inclusão de pessoas com Down no mercado de trabalho favorece o desenvolvimento de habilidades cognitivas, mecânicas e de adaptação a diferentes situações, inclusive na vida pessoal. Por esse motivo o Amor 21 criou o Emprego Apoiado, um projeto que conscientiza sobre os benefícios de ter uma pessoa com síndrome de Down no ambiente de trabalho, criando um ambiente propício para esta inclusão.

 

"Nós utilizamos a metodologia do Emprego Apoiado, que é um método criado nos EUA nos anos 70 e muito difundido na Europa. Aqui ano Brasil  gente tem tido boas respostas de algumas instituições que têm utilizado essa metodologia para acompanhar a pessoa com deficiência nas empresas” explicou Neila, presidente do Amor 21.

 

“A gente prepara o jovem para o trabalho, prepara a empresa que irá fazer a contratação e realiza o acompanhamento. Após essa contratação, durante o período que for necessário para que o processo possa ser positivo para ambas as partes” disse Neila.

 

Segundo Neila Sabino, as barreiras que impedem a entrada dos portadores da Síndrome de Down estão sendo cada vez mais superadas à medida em que as empresas estão buscando conhecer melhor pessoas com a deficiência e as empregando em seu quadro de funcionário. “Para que tudo isso possa dar certo, a gente precisa que as empresas apõem e ajudem a inserir esses jovens cada vez mais”.

 

Vencer o preconceito e aceitar as diferenças talvez seja algo que precisa ser feito de imediato. Ter limitações não significa não poder fazer algo,mas sim fazer de um jeito diferente, com um tempo diferente. Pode ser que demore um pouco mais de tempo para realizar determinadas tarefas. Isso não quer dizer que elas não serão feitas, ou que serão feitas de forma inadequada.

 

A caminhada para mudar o pequeno número de pessoas com síndrome de Down do mercado de trabalho é longa, mas são passos como esses que estão sendo dados pelo Amor 21 juntamente com esses jovens, familiares e algumas empresas que farão a diferença.

 

 “A gente está muito feliz em ver a receptividade dessas empresas. Hoje nós temos varias propostas de postos de trabalho de empresas querendo contratar os jovens, desde hotéis, redes de restaurantes, escolas, etc" finalizou.

 

Fonte: http://www.cadaminuto.com.br/noticia/309996/2017/09/18/projeto-que-insere-jovens-com-sindrome-de-down-no-mercado-de-trabalho-comemora-primeiros-bons-frutos#