Ouro Preto uma visão diferente da mesma paisagem

06/02/2017

A cidade, localizada no quadrilátero ferrífero, é famosa por suas pedras preciosas e gemas minerais, oferecendo boas opções de presentes em joias

e bijuterias.

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Foto divulgação

Por estar localizada em uma região montanhosa, Ouro Preto oferece sempre uma visão diferente da mesma paisagem. Cada olhar revela um ângulo novo: a majestade de uma igreja, o casario torto, o charme das ladeiras, o pico do Itacolomy emergindo sob a neblina. São cartões postais vivos, revelando uma beleza poética durante o dia e sombria e misteriosa durante a noite.

 

Por isso, a primeira dica pra quem quer conhecer o berço da Inconfidência Mineira é calçar um bom par de tênis e sair, sem pressa, por suas ruas, apenas sorvendo o encanto. Pisar Ouro Preto é pisar um solo sagrado, cheio de costumes religiosos e profanos, ideais políticos e artísticos. O ciclo do ouro deixou na antiga Vila Rica tesouros arquitetônicos e históricos, que, a cidade com sua vocação turística oferece ao visitante. Sob o olhar altivo da estátua de Tiradentes, erguida no local onde a cabeça do mártir foi exposta, contam-se mais de 300 anos, convivendo lado a lado com a contemporaneidade.

 

A cidade tem 22 igrejas e capelas, talhadas na opulência do ciclo do ouro e sob a influência barroca. Entre elas merecem destaque a belíssima Igreja do Carmo, localizada bem no centro da cidade, de onde é possível vislumbrar linda vista local; a do Pilar, a segunda mais rica em ouro do país e elevada ao patamar de Basílica, pelo Vaticano; a de São Francisco de Assis, considerada obra-prima do barroco, com pinturas de Mestre Athayde e entalhe e esculturas de Aleijadinho; além das igrejas do Rosário; Matriz de Nossa Senhora da Conceição; Igreja de São Francisco de Paula; Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Perdões; Igreja de São José; Bom Jesus do Matosinhos ou São Miguel e Almas; e Igreja de Santa Efigênia, erguida pelos escravos, no chamado Alto da Cruz. Reza a lenda que os negros traziam o ouro em pó das Minas que ficava grudado nos cabelos crespos.

 

A história é guardada e recontada nos museus da cidade. O da Inconfidência, que abrigou a antiga Casa de Câmara e a cadeia, reúne acervo da Inconfidência Mineira e o mausoléu dos inconfidentes. A Casa dos Contos era a antiga casa da moeda, onde eram cunhadas as moedas de ouro. O antigo Palácio dos Governadores, localizado na Praça Tiradentes, hoje abriga a tradicional Escola de Minas e seus museus de mineralogia e história natural. Também devem ser visitados os museus Casa Guignard, com obras do lendário pintor; o Museu do Aleijadinho, com acervo sacro do mestre do barroco; o Museu do Oratório, que é o único do gênero no mundo; além dos museus do Pilar e da Escola de Farmácia.

 

Mas, nem só de história vive Ouro Preto: a cidade guarda importante parque ecológico no entorno, com nascentes, rios, picos e trilhas que são convite às aventuras. O principal atrativo deste turismo ecológico é o Parque Estadual do Itacolomy. Caminhantes animados, podem percorrer a distância até o famoso pico à pé, encontrando pelo caminho rica flora, além de fauna com alguns animais até em extinção, como é o caso da ave-pavó, lobo-guará e onça-parda. O parque abriga o Centro de Visitantes, onde uma exposição fala sobre os aspectos biológicos e geomorfológicos da região. Lá também fica a belíssima sede da Fazenda São José do Manso, que tem mais de 300 anos. Para complementar o turismo ecológico, também vale dar um pulinho no Parque Municipal da Cachoeira das Andorinhas, onde fica a lendária cachoeira Véu da Noiva, logo ali, no distrito de Antônio Pereira.

 

Aliás os distritos são outra joia da região de Ouro Preto. São doze:: Amarantina, Lavras Novas, Santa Rita, São Bartolomeu, entre outros, cada um guardando sua magia peculiar e tradições arraigadas no DNA de seu simpático povo. O calendário de eventos revive comemorações seculares tanto nos distritos como em Ouro Preto. São famosos o Dia de Reis, nos arredores; a Festa do Reinado de Chico Rei; o  Carnaval; a festa da goiaba em São Bartolomeu; a Semana Santa; o feriado de Tiradentes; as coroações em maio, mês de Maria; as festas juninas nos distritos; o festival Ouro-pretano de Bandas; as Cavalhadas em São Gonçalo e Amarantina; entre outras maravilhas que resgatam o folclore e a cultura locais.

 

Outra data conhecida nacionalmente é o 12 de outubro, em que se comemora o aniversário da Escola de Minas. Fundada em 1876, pelo cientista francês Claude Henri Gorceix, a pedido do então imperador Dom Pedro II, a instituição hoje foi englobada pela Universidade Federal de Ouro Preto. Sua fama nas áreas de engenharias  geológica, de minas, civil e metalurgia atrai estudantes de todo país. Nas famosas repúblicas, eles são chamados de bixos no primeiro semestre. Depois serão rebatizados com  apelidos, pelos quais serão chamados até o final dos estudos e até depois de formados.   As simpáticas repúblicas animam o dia a dia da cidade, sendo atração para quem quer reviver um pouco das memórias estudantis, com seus churrascos, festas e calouradas.

 

Atração à parte em Ouro Preto é a típica culinária mineira. Nos charmosos restaurantes e bares, é possível provar um pouco de comidas que fizeram história na região, como o feijão tropeiro, apreciado pela tropas de desbravadores dos sertões de Minas Gerais; o tutu à mineira; o frango ao molho pardo, entre outras recentes criações e releituras de pratos tradicionais. O que não faltam são boas opções de restaurantes. As cachaças locais são apreciadas por sua produção artesanal. Versões da bebida com ervas são a especialidade da empresária do ramo, Cida Zurlo, com sua loja na Praça Tiradentes.

 

A cidade, localizada no quadrilátero ferrífero, é famosa por suas pedras preciosas e gemas minerais, oferecendo boas opções de presentes em joias e bijuterias. É a única região do mundo que atualmente produz o topázio imperial, belíssima gema de coloração avermelhada. As estátuas, panelas e objetos em pedra sabão também são a cara da cidade e movimentam a economia local.

 

A Universidade Federal de Ouro Preto, reformou o Centro de Artes e Convenções da cidade, sendo importante receptivo para eventos empresariais e turísticos, uma vocação natural da cidade.

 

Como se vê, o que não faltam são motivos para visitar o coração da Estrada Real, uma terra marcada pelos ideais libertários, e por onde andaram Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto, e claro, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

 

Fonte http://blimabracher.com/