Onda de calor faz egípcios sofrerem e causa mais de 90 mortos

17/08/2015

Na semana passada os termômetros alcançaram os 42 graus na capital egípcia e os 47 em Assuã (sul), com porcentagens de umidade de até 90%

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Foto Divulgação 

Os egípcios estão sofrendo desde o domingo passado uma onda de calor úmido, que matou mais de 90 pessoas e está fazendo sofrer sobretudo aqueles que não têm ar condicionado ou água em seus lares.

 

Em uma semana, pelo menos 93 egípcios, a maioria idosos, morreram por causa das altas temperaturas e quase 200 tiveram que ser hospitalizados ao sofrer com fadiga e desmaios, após ficarem expostos ao sol, que estes dias castiga mais do que nunca o país.

 

“Este fenômeno se repete no Egito e na região cada dez ou onze anos. Estamos vendo um verão muito quente, com um forte aumento das temperaturas, tanto no Oriente Médio, como em alguns países da Europa do sul”, disse à Agência Efe o porta-voz da Autoridade de Meteorologia egípcia, Wahid Soudi.

 

Ele explicou que o país está sob os efeitos de uma massa de ar proveniente da Índia, que ao atravessar pela península Arábica se aquece com o vapor de água, o que faz com que o clima seja especialmente úmido.

 

Soudi também destacou que o aquecimento em nível global, assim como a poluição e o trânsito no Egito, sobretudo no Cairo, contribuem para este fenômeno.

 

Na semana passada os termômetros alcançaram os 42 graus na capital egípcia e os 47 em Assuã (sul), com porcentagens de umidade de até 90%, e esta onda de calor parece disposta a ficar até pelo menos a próxima semana.

 

“Estou desesperada com tanto calor e umidade, sobretudo quando ando de ônibus”, disse à Efe uma esteticista de 25 anos que vive no subúrbio de Shubra al Jima com seu marido e seu filho pequeno.

 

“Acho que este ano o calor e a umidade superaram amplamente os registrados em anos anteriores. De noite eu e minha família não conseguimos dormir sem ventilador”, afirmou Nura al Gamal.

 

Para Khaled Abu Abdullah, um jovem funcionário de uma loja de equipamentos de eletricidade, esta excepcional onda de calor é fruto “da ira divina” porque o povo não está se comportando bem, assegurou à Efe.

 

Abdullah vive em um apartamento no alto de um prédio do bairro das pirâmides que, assegura, se transformou em “um forno” nestes dias.

 

“Comprei vários ventiladores porque não posso ter um aparelho de ar condicionado, minha mulher e meus filhos estão desesperados”, contou.

 

Os especialistas também não parecem ter uma explicação racional para esta onda de calor tão forte e prolongada, que está fazendo os egípcios suar mais do que nunca, muito acostumados às altas temperaturas.

 

O professor do Meio Ambiente da Universidade de Alexandria, Mohammed al Rai, explicou à Efe que não é comum a situação vivida no país, onde há duas semanas foram registrados cinco graus acima da média habitual nesta época do ano.

 

“Isto supera o que denominamos onda de calor, que costuma durar poucos dias”, disse Rai.

 

Ao mesmo tempo, aproveitou a ocasião para pedir às autoridades que mudem os horários de trabalho para diminuir o consumo de energia elétrica, que disparou devido ao uso de ar condicionado, e para que os trabalhadores possam parar nas horas de maior calor.

 

Neste sentido, o assessor de Informação do Ministério do Trabalho, Haizam Zaadedin, disse à imprensa local que o governo estuda dar férias a alguns trabalhadores, inclusive do setor privado, como por exemplo os operários da construção.

 

As mortes pelo calor foram registradas em todo Egito e em diferentes circunstâncias, inclusive em uma prisão do sul do país, onde quatro detidos morreram, e no zoológico do Cairo, que lamentou a morte esta semana de um de seus orangotangos.

 

As autoridades e os meios de comunicação emitiram recomendações e conselhos, como beber muito líquido e evitar o sol e o calor, mesmo assim, há muitos egípcios que não podem deixar de comparecer a seu trabalho, nem podem encontrar alívio devido aos cortes de luz e de água.

 

O padeiro Mustafa al Shawiri disse à Efe que deve continuar trabalhando no forno, onde a temperatura é muito elevada.

 

“Atualmente não há tanta diferença entre os graus dentro da padaria e fora dela”, ironizou o jovem.

 

Um Karim, uma vendedora ambulante de 50 anos, garantiu que tem que ficar debaixo do sol vendendo artigos do lar para conseguir dinheiro para sua família.

 

“Este ano está muito difícil, esperemos que passe rápido”, se queixou enquanto seca o suor da testa e do pescoço em uma rua do bairro popular que se expande ao redor das pirâmides de Gizé.

 

Fonte: Ambientebrasil, com UOL